{"id":3596,"date":"2016-03-18T17:48:55","date_gmt":"2016-03-18T17:48:55","guid":{"rendered":"https:\/\/seae-embu.org\/anterior\/seae\/?page_id=3596"},"modified":"2016-03-18T17:50:51","modified_gmt":"2016-03-18T17:50:51","slug":"historia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/seae-embu.org\/anterior\/embu-das-artes\/historia\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"titulo\">Origem da cidade<\/span><br \/>\n\u201cA cidade de Embu tem suas origens na antiga aldeia M\u2019Boy, criada pelos padres da Companhia de Jesus na primeira metade do s\u00e9culo XVII, mais precisamente em 1554. M\u2019Boy, Boy, Bohi, Bohu, Emboi, Alboy, Embohu. Diversas grafias foram registradas por S\u00e9rgio Buarque de Hollanda para a palavra ind\u00edgena que nomeava a extensa regi\u00e3o onde surgiu a aldeia. Diz a lenda que o nome M\u2019Boy \u2013 cobra em tupi-guarani \u2013 foi dado para homenagear um \u00edndio que salvara da morte o padre Belchior de Pontes, figura fundamental na hist\u00f3ria da aldeia. Segundo Leonardo Arroyo, o termo M\u2019Boy vem de Mbe\u00eeu, que significa \u201ccousa penhascosa\u201d, agrupamento de montes, coisa em cachos ou cacheados.<\/p>\n<p>\u201cDe qualquer modo, era nessas terras montanhosas, que ficava a fazenda de Fern\u00e3o Dias Pais \u2013 tio do famoso bandeirante ca\u00e7ador de esmeraldas &#8211; e Catarina Camacho, sua mulher. Em 24 de janeiro de 1624, o casal doou a propriedade aos jesu\u00edtas, incluindo os muitos \u00edndios que aldeara em torno da sede. Duas condi\u00e7\u00f5es foram impostas por Catarina Camacho para efetivar a doa\u00e7\u00e3o: o culto ao Santo Crucifixo e a festa de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, a quem a pequena capela da fazenda era dedicada.<\/p>\n<p>A doa\u00e7\u00e3o era bem conveniente aos jesu\u00edtas, que, atacados por \u00edndios na aldeia de Mani\u00e7oba, pr\u00f3xima de Piratininga (vila que deu origem \u00e0 cidade de S\u00e3o Paulo), procuravam um lugar mais seguro para prosseguir com sua miss\u00e3o de catequizar o gentio. A nova aldeia, al\u00e9m de estar mais afastada do n\u00facleo de Piratininga, ficava na conflu\u00eancia dos caminhos que levavam ao mar e ao sert\u00e3o, um ponto estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/seae-embu.org\/anterior\/imagens\/aldeamento.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"325\" \/><\/p>\n<p>Uma vez instalados, os padres iniciaram o trabalho de catequese dentro dos moldes de outros aldeamentos jesu\u00edticos. O princ\u00edpio b\u00e1sico era fixar os \u00edndios em torno das igrejas e col\u00e9gios, protegendo-os da escravid\u00e3o. Em troca, o gentio tinha que se submeter \u00e0 nova disciplina que, na maior parte das vezes, entrava em choque direto com a cultura ind\u00edgena. Al\u00e9m de se adequar \u00e0 moral religiosa cat\u00f3lica, que permitia um \u00fanico casamento, os \u00edndios transformavam-se em agricultores sedent\u00e1rios.<\/p>\n<p>Talvez por problemas de adapta\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas ao novo modo de vida, no fim do s\u00e9culo XVII e in\u00edcio do XVIII, o padre Belchior de Pontes, ent\u00e3o diretor da aldeia, resolve mud\u00e1-la para outro lugar n\u00e3o muito distante. Segundo relata o padre Manuel Fonseca no livro \u201cA Vida do Vener\u00e1vel Padre Belchior de Pontes\u201d, a nova aldeia ficava assentada num plano cercado de riachos que produziam peixes mi\u00fados em tal quantidade, que podiam ajudar muito a sustenta\u00e7\u00e3o dos \u00edndios. No novo local, o padre Belchior de Pontes ergueu tamb\u00e9m uma nova igreja, maior que a anterior, conservando a invoca\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora do Ros\u00e1rio.<br \/>\n<span class=\"style1\"><br \/>\nO que as culturas ind\u00edgenas t\u00eam a ensinar ao homem branco?<br \/>\n\u201cSobretudo a simplicidade na forma de viver. O \u00edndio sabe resistir muito bem ao que chamo de canto da sereia da cidade grande \u2013 essa febre de consumo que atrai as pessoas e que ilude a todos.\u201d<br \/>\nDANIEL MUNDURUKU EM ENTREVISTA \u00c0 REVISTA NOVA ESCOLA)<\/span><\/p>\n<p>Em meados do s\u00e9culo XVIII, a aldeia contava com 261 \u00edndios e apresentava sinais de prosperidade, destacando-se entre as demais. J\u00e1 havia sido constru\u00edda a resid\u00eancia dos jesu\u00edtas, com a ajuda dos \u00edndios. Al\u00e9m da mandioca, trigo e legumes, produzia-se algod\u00e3o, que era fiado e tecido ali mesmo pelas \u00edndias. H\u00e1 registros de exporta\u00e7\u00f5es para Rio de Janeiro e Bahia em 1757. Uma outra peculiaridade da aldeia era a exist\u00eancia de uma banda de m\u00fasica, bastante respeitada na regi\u00e3o. Composta de \u00edndios guaranis, que dedicavam duas horas da manh\u00e3 e duas horas da tarde aos ensaios, a corpora\u00e7\u00e3o musical participava de missas e prociss\u00f5es, se apresentando em localidades pr\u00f3ximas.\u201d<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Agenda 21 Escolar de Embu das Artes. Publica\u00e7\u00e3o Sociedade Ecol\u00f3gica Amigos de Embu \u2013 SEAE\/Fundo Estadual de Recursos H\u00eddricos \u2013 Fehidro. Embu, S\u00e3o Paulo, 2005.<\/em><\/p>\n<p><span class=\"titulo\">Embu Terra das Artes<\/span><br \/>\nA voca\u00e7\u00e3o art\u00edstica da cidade come\u00e7ou em 1937, quando C\u00e1ssio M&#8217;Boy, santeiro de Embu, ganhou o primeiro grande pr\u00eamio na Exposi\u00e7\u00e3o Internacional de Artes T\u00e9cnicas em Paris. Antes disso, C\u00e1ssio foi professor de v\u00e1rios artistas e recebia em sua casa expoentes do Movimento Modernista de 1922 e das artes em S\u00e3o Paulo, incluindo Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Alfredo Volpi e Yoshio Takaoka.<\/p>\n<p>Depois de C\u00e1ssio M&#8217;Boy veio Sakai de Embu \u2014 reconhecido internacionalmente como um dos grandes ceramistas-escultores brasileiros. Sakai forma um grupo de artistas pl\u00e1sticos, ao qual pertence Solano Trindade.<\/p>\n<p>Solano Trindade chega em Embu em 1962 e traz consigo a cultura negra, congregando um grupo de artistas em seu redor, e introduzindo a tradi\u00e7\u00e3o dos orix\u00e1s.<\/p>\n<p>Com o 1\u00ba Sal\u00e3o das Artes, em 1964, a tradi\u00e7\u00e3o art\u00edstica da cidade institucionaliza-se e ganha proje\u00e7\u00e3o dentro e fora do Brasil. Paralelamente, a partir dos finais dos anos 60, a cidade passa a p\u00f3lo de atra\u00e7\u00e3o para hippies, que exp\u00f5em os seus trabalhos de artesanato todos os fins de semana, dando origem \u00e0 Feira de Artes e Artesanato.<\/p>\n<p>Em 1959, Embu passa a ser munic\u00edpio ao se emancipar de Itapecerica da Serra.<\/p>\n<p>Um dos cart\u00f5es postais do munic\u00edpio, a Feira de Embu das Artes transformou-se no maior evento do g\u00eanero pela a\u00e7\u00e3o vision\u00e1ria de protagonistas como o escultor Assis do Embu (falecido em 2006), o ceramista Sakai do Embu (tamb\u00e9m falecido), entre outros nomes, na sua maioria artistas e hippies que expunham na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica e vieram morar na cidade. Instalada inicialmente em frente ao Museu de Arte Sacra, no Largo dos Jesu\u00edtas, a feira surgiu com poucos artistas expondo suas obras em panos estendidos no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Embu respira arte desde sua funda\u00e7\u00e3o. Os padres jesu\u00edtas e os \u00edndios guaranis foram os primeiros artistas de Embu. Suas m\u00e3os marcaram o car\u00e1ter da cidade vis\u00edveis na arquitetura da igreja, na escultura dos santos de madeira, nas pinturas e entalhamentos. Documentos hist\u00f3ricos contam que os jesu\u00edtas aceitavam encomendas de santos e \u00e9 bem poss\u00edvel que essa tradi\u00e7\u00e3o de santeiro tenha se mantido entre os poucos habitantes da vila durante o s\u00e9culo 19 e in\u00edcio do s\u00e9culo passado. A constru\u00e7\u00e3o da igreja Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, com sua torre em estilo mo\u00e7\u00e1rabe, j\u00e1 era arte.<\/p>\n<p class=\"titulo\">Capela de S\u00e3o Lazaro<\/p>\n<p>A origem da Capela de S\u00e3o Lazaro est\u00e1 ligada \u00e0 uma imagem do santo esculpida em madeira pelo artista C\u00e1ssio M&#8217;Boy, nos anos 20. O S\u00e3o Lazaro de C\u00e1ssio M&#8217;Boy come\u00e7ou a atrair um grande n\u00famero de devotos e, em 1934, decidiu-se construir uma capela para abrigar a imagem e seus adoradores. Em 1969 a capela foi restaurada aproximando-a das linhas da arquitetura jesu\u00edtica da Igreja Nossa Senhora do Ros\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"titulo\">Conjunto Jesu\u00edtico Nossa Senhora do Ros\u00e1rio<\/p>\n<p>O Conjunto Jesu\u00edtico Nossa Senhora do Ros\u00e1rio \u00e9 formado pela igreja e pela antiga resid\u00eancia dos padres, conjugadas numa mesma edifica\u00e7\u00e3o. O desenho das portas e janelas cria uma delicada movimenta\u00e7\u00e3o da fachada. Trata-se de um dos mais importantes e preservados remanescentes das constru\u00e7\u00f5es jesu\u00edtas em S\u00e3o Paulo, caracterizadas pela simplicidade das linhas retas.<\/p>\n<p>A igreja come\u00e7ou a ser constru\u00edda por volta de 1700 pelo Padre Belchior de Pontes em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 antiga capela da fazenda de Catarina Camacho situada n\u00e3o muito longe dali, tamb\u00e9m dedicada a Nossa Senhora do Ros\u00e1rio. A nova igreja teria suficiente capacidade para que os \u00edndios e vizinhos pudessem comodamente observar os preceitos a que est\u00e3o obrigados, como registrou o Padre Manuel da Fonseca no livro &#8216;A Vida do Vener\u00e1vel Padre Belchior de Pontes&#8217;.<\/p>\n<p class=\"titulo\">Museu de Arte Sacra dos Jesu\u00edtas<\/p>\n<p>O Conjunto Jesu\u00edtico inclui a Igreja de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio e sedia o Museu de Arte Sacra. Sua arquitetura apresenta particularidades do estilo barroco paulista e um acervo rico em imagens de anjos, santos e personagens b\u00edblicos entalhados em madeira, modelados em terracota ou em arma\u00e7\u00f5es em roca, produzidas entre os s\u00e9culos XVII e XIX. Creditam a autoria da imagem da Nossa Sra. do Ros\u00e1rio, em terracota, ao Padre Belchior de Pontes, respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o da Igreja. A obra prima do museu, &#8220;Senhor Morto&#8221; esculpida em tamanho real em uma \u00fanica tora de madeira, bem como as imagens de Nossa Senhora das Dores e da Santa Ceia, em roca, s\u00e3o da autoria do Padre Macar\u00e9.<\/p>\n<p>As demais pe\u00e7as expostas foram esculpidas por jesu\u00edtas auxiliados pelos \u00edndios. O tour tem a Igreja como ponto alto: a sacristia, com pinturas de estilo oriental no forro, e o altar da capela-mor, ornado com talha dourada.<\/p>\n<p class=\"titulo\">Fonte dos Jesu\u00edtas<\/p>\n<p>Descoberta em 1944, a fonte de \u00e1gua mineral em Embu das Artes, conhecida como Fonte dos Jesu\u00edtas, \u00e9 uma das mais antigas do Brasil. O Decreto de Lavra foi expedido em 1950 e assinado pelo Presidente da Rep\u00fablica Dr. Eurico Gaspar Dutra. Est\u00e1 localizada em \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental de Mata Atl\u00e2ntica com fauna e flora exuberantes.<\/p>\n<p>Desde 2005, o Grupo \u00c1gua Mineral Natural Mata Atl\u00e2ntica vem cuidando do local. Uma ampla reforma foi realizada modernizando as instala\u00e7\u00f5es. No Fontan\u00e1rio todos podem tomar uma \u00e1gua fresquinha e conhecer o processo de envase.<\/p>\n<p class=\"titulo\">Festas Populares:<br \/>\nFesta de Santa Cruz<\/p>\n<p>A adora\u00e7\u00e3o \u00e0 Santa Cruz popularizou-se depressa entre a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. O s\u00edmbolo da cruz, plantando pelos mission\u00e1rios nos terreiros das malocas, saudado pelo canto di\u00e1rio, fixando o local das cerim\u00f4nias religiosas, dos s\u00edtios dos noven\u00e1rios, das ora\u00e7\u00f5es, dos autos e das reuni\u00f5es de prega\u00e7\u00e3o foi o primeiro trabalho deixado pelo europeu na terra brasileira.<br \/>\nSanta curuzu dos guaranis e santa curu\u00e7\u00e1 dos tupis, manifesta\u00e7\u00f5es religiosas decorrentes da cristianiza\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas, figuravam no devocion\u00e1rio mameluco, mesti\u00e7o e caboclo.<br \/>\nNa Adora\u00e7\u00e3o \u00e0 Santa Cruz, o pr\u00f3prio povo dirige a celebra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 interven\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica. O capel\u00e3o, que \u00e9 um pasiano, \u00e9 o encarregado de cantar os versos de louvor. Por ocasi\u00e3o do IV Centen\u00e1rio de S\u00e3o Paulo, em 1954, a dan\u00e7a de Santa Cruz foi considerada contribui\u00e7\u00e3o da cultura do \u00edndio-jesu\u00edtica para a forma\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"titulo\">Tapete Corpus Cristhi<\/p>\n<p>Comemora\u00e7\u00e3o religiosa com a participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, comunidades religiosas na montagem e prociss\u00e3o e tamb\u00e9m de artistas locais. As ruas s\u00e3o decoradas com belos tapetes. Festa tradicional na cidade.<\/p>\n<p><span class=\"titulo\">Fontes:<\/span><br \/>\nSite \u2013 Prefeitura de Embu \u2013 <a href=\"http:\/\/www.prefeituraembu.org.br\/\" target=\"_blank\">www.prefeituraembu.org.br<\/a><br \/>\nSite \u2013 M\u2019Boy \u2013 <a href=\"http:\/\/www.mboy.com.br\/\" target=\"_blank\">www.mboy.com.br<\/a><br \/>\nFranco, Maria Isabel C. (coord.). Agenda 21 Escolar de Embu das Artes. Sociedade Ecol\u00f3gica Amigos de Embu \u2013 SEAE\/Fundo Estadual de Recursos H\u00eddricos \u2013 Fehidro. Embu, S\u00e3o Paulo, 2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Origem da cidade \u201cA cidade de Embu tem suas origens na antiga aldeia M\u2019Boy, criada pelos padres da Companhia de Jesus na primeira metade do s\u00e9culo XVII, mais precisamente em 1554. M\u2019Boy, Boy, Bohi, Bohu, Emboi, Alboy, Embohu. 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